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Darci Piana critica elevada carga tributária do país

A Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio PR) congrega 60 sindicatos patronais e expressa a voz de mais de 480 mil empresas do varejo paranaense. A entidade, que tem Darci Piana como presidente, tem a função de representar legalmente o empresariado junto aos poderes legislativo, executivo e judiciário, assim como, perante a sociedade. Em visita ao Show Rural Coopavel, realizado de 2 a 6 de fevereiro de 2015, em Cascavel, o presidente da Fecomércio PR, Darci Piana, enfatizou, em entrevista ao jornal A Voz do Paraná, a importância do evento para o desenvolvimento da região. “O Show Rural tem tudo a ver com comércio, toda a comercialização da área de máquinas e implementos agrícola é um processo comercial. Se a agricultura vai bem, o comércio também vai bem. Nas nossas pesquisas recentes a região Oeste esta acima do restante do Paraná, então isso mostra a força do Oeste, da economia e isso nos engrandece porque faz parte daquilo que é o exemplo do país. Esse processo de cooperativismo aqui do Sul, essa preocupação dos empresários com a sua prefeitura, com a sua estrutura de produção, isso é um exemplo para o mundo inteiro, hoje nós somos igualados em tecnologia agrícola com os grandes países do mundo, principalmente os Estados Unidos que é o exemplo mundial”, comemorou Darci. Devido a crise em vários setores que o Brasil está passando no momento, Darci Piana não está otimista quanto a expectativa para o comércio em geral, porém enfatiza que comércio é grande e irá superar a crise. “Lamentavelmente temos uma preocupação muito grande, tivemos o ano passado já um exemplo negativo, nós esperávamos crescer em torno de 6,5% em relação ao ano anterior, mas crescemos apenas 2,7%, em uma inflação anunciada de 6,5% que não é verdade. Os nossos preços estão entre 18 e 25%, então nós temos aí com já alguma dificuldade. E esse ano com a expectativa já negativa de crescimento, com aumento do combustível, energia elétrica acima de 40%, com o juro subindo, com a deficiência da área financeira, com 88% das famílias do Paraná endividadas, com 60% delas já acima de 90 dias, 11% dizendo que não tem mais condições de pagar. Então lamentavelmente a expectativa não é boa, mas temos que lutar, somos guerreiros e vamos fazer a nossa parte”, salientou o presidente da Fecomércio PR. Para esse ano um grande investimento na área da hotelaria está previsto para Cascavel. “Estamos cumprindo a parte burocrática para a construção , eu espero que a partir do mês de março desse ano a gente consiga iniciar essa grande obra hoteleira”, concluiu Darci Piana. CARGA TRIBUTÁRIA Segundo Darci Piana, não é de hoje que se critica o peso da carga tributária sobre as costas do brasileiro, seja ele pessoa física ou jurídica. “O Estado arrecada demais, aplica de maneira errada, e submete o contribuinte a um sufoco que, muitas vezes, acaba se refletindo na sua própria produtividade”, destacou o presidente da Fecomércio PR, enfatizando que “sem tributação excessiva, poderemos, como empreendedores, investir mais e devolver à sociedade o que recebemos. E a sociedade, em contrapartida, vai comprar mais, exigir mais qualidade e produtividade. A engrenagem do desenvolvimento será azeitada e vai girar com mais vigor, tenho certeza”. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista: Jornal A Voz do Paraná - Qual é a sua avaliação sobre o Show Rural e o município de Cascavel? Darci Piana - O Show Rural tem tudo a ver com o comércio, toda a comercialização da área de máquinas e implementos agrícola é um processo comercial. Se a agricultura vai bem, o comércio também vai bem. Nas nossas pesquisas recentes a região Oeste está acima do restante do Paraná, o que mostra a força do Oeste e da sua economia. Esse panorama nos engrandece porque faz parte daquilo que é o exemplo do país. O processo de cooperativismo do Oeste, a preocupação dos empresários com a sua prefeitura e com a sua estrutura de produção, é um exemplo para o mundo inteiro. Hoje somos igualados em tecnologia agrícola com os grandes países do mundo, principalmente, os Estados Unidos, que é o exemplo mundial. É a força do evento, a inovação tecnológica e a pujança do Oeste que nos dá alegria de vir aqui todo ano, ver o que tem de novidade, acompanhar esse evento, que serve para o próprio comércio se estabilizar. O volume de negócios que sai daqui, apesar dos contratempos da economia, é muito grande. Agora o que nós lamentamos, é de saber que esses governos, mesmo no seu segundo mandato, entram com esses pacotes, chamados pacotes de maldade, cortando gastos e aumentando impostos, tentando aumentar a arrecadação para compensar os erros cometidos na gestão dos quatro anos anteriores. No nosso caso, onde nós temos os mesmos problemas que o governo, as mesmas dificuldades e como é que conseguimos cumprir com as nossas metas, as nossas obrigações, pagar os nossos encargos e investir em obras novas? O governo também tem que se preocupar em fazer a parte dele. Jornal A Voz do Paraná - Qual é a expectativa da Fecomércio para 2015? Piana - Lamentavelmente nós temos uma preocupação muito grande, tivemos no ano passado já um exemplo negativo, nós esperávamos crescer em torno de 6,5% em relação ao ano anterior, mas crescemos apenas 2,7%, numa inflação anunciada de 6,5% que não é verdade. E esse ano com a expectativa já negativa de crescimento, com aumento do combustível, energia elétrica acima de 40%, com o juro subindo, com a deficiência da área financeira, com 88% das famílias do Paraná endividadas, com 60% delas já acima de 90 dias, 11% dizendo que não tem mais condições de pagar. Então lamentavelmente a expectativa não é boa. Então esperamos que essas medidas do governo, se cumprirem o que foi falado que são medidas para contenção de despesas, nós temos que aplaudir. Mas não podemos aplaudir aumento de impostos. Tudo isso nos dá uma preocupação muito séria. E nós temos mais de 2 milhões de empregos no Paraná. Então, o comércio e serviços estão com equilíbrio na geração de empregos, mas se nós começarmos a ter dificuldades nas vendas, que já vem caindo desde abril do ano passado, nós teremos que demitir funcionários, a partir de fevereiro começam as demissões e serão grandes, porque mesmo que a gente fale em um empregado para cada empresa são 500 mil, não acredito que a gente chegue nisso, mas 150 mil ou 200 mil é muita gente, menos gente trabalhando, menos salário, menos gastos de novo o comércio vai pagar e a área de serviço que já vem com alguma dificuldade. Mas temos que lutar, somos guerreiros e vamos fazer a nossa parte. Jornal A Voz do Paraná - E os empresários, o que esperam de 2015? Piana - As expectativas dos empresários de comércio e serviços do Paraná para o primeiro semestre de 2015 apresentam redução quando comparadas aos semestres anteriores. Conforme esta edição da pesquisa, apenas 39% dos pesquisados têm expectativas de crescimento, o menor índice desde a implantação da Pesquisa, em 2001. Na verdade, os números da avaliação refletem o perfil de dificuldades previstas para a economia brasileira neste início de 2015. Em pesquisas anteriores, as respostas positivas quanto ao desempenho esperado para o semestre seguinte chegaram a superar 85%. No entanto, os números obtidos de 2011 a 2014 indicam que em apenas em três ocasiões detectou-se crescimento nas expectativas em relação ao semestre imediatamente anterior. Nos outros cinco semestres houve queda, até chegar ao início do segundo governo Dilma com este recorde negativo. A reação dos empresários captada nas respostas da pesquisa demonstra a influência e o condicionamento às restrições ocorridas em 2014 e que explicam os fatores limitantes para 2015. Dentre estes fatores podem ser mencionados: taxa de juros Selic crescente; inflação; PIB em queda, com aumento esperado de 0,5% para 2014; a indústria teve queda na produção, ampliou férias coletivas, reduziu turnos de trabalho e dispensou trabalhadores e, em vários ramos, acumulou estoques; a demanda caiu e o consumidor seu poder de compra reduzido e sua renda comprometida; restrições do sistema bancário na concessão de financiamentos; a balança comercial do Brasil e do Paraná foram negativas em 2014; queda no superávit primário do governo, simultâneo à maior carga tributária. A combinação destes fatores foi suficiente para afetar o comércio e limitar seu crescimento. Jornal A Voz do Paraná - A carga tributária desestimula novos investimentos? Piana - Foram definidas elevações tributárias para 2015 pelos três níveis de governo, algumas já vigentes. O adicional tributário, de diversas conotações – ICMS, IPVA, IPTU, ISS, ITBI, desconto adicional sobre remuneração de aposentados do Estado, reajuste do Imposto de Renda abaixo da inflação do ano anterior, volta da CIDE sobre combustíveis – sinaliza uma repercussão sobre a taxa de inflação com maior impacto no primeiro semestre. Essa combinação de limitações irá, sem dúvida, gerar um cenário econômico desestimulante e comprometedor para a atividade empresarial. O empresário do comércio, diante desse quadro, contém suas expectativas, o que resulta em desestímulo a novos investimentos, que também comprometem a geração de novos postos de trabalho. Os trabalhadores de diversas categorias ou setores de atividade sinalizam a adoção de posturas reivindicativas. A dimensão das providências a serem adotadas pelo governo quanto à política econômica demonstra a intensidade das mudanças necessárias à economia brasileira como forma de reduzir ou conter os desvios e inadequações acumuladas anteriormente. O que se vislumbra para o ano de 2015 é a necessidade de implantação de políticas econômicas corretivas e compensatórias no país e no Paraná. Será um ano de correções e adequações, não será um ano de crescimento. Jornal A Voz do Paraná - A Fecomércio quer investir alto em Cascavel na área da hotelaria. Como é que anda esse projeto? Piana - Já conversei com o prefeito Edgar Bueno e comuniquei que o nosso pessoal irá a prefeitura para que ele faça um esforço para liberar nosso projetos, pois estão com dificuldades. Lamentavelmente nesse país não conseguimos fazer uma aprovação com menos de um ano dentro desses órgãos públicos. Agora está tudo equacionado, a parte do IAP e a parte estrutural. Só estamos com um pequeno problema na área de união dos dois terrenos que estão ali, então praticamente equacionado. É uma questão de dias para assinarmos a licitação desse processo todo. Temos ainda uma segunda pista que atrapalhou tudo, que temos que fazer um asfalto de um quilômetro e meio, mais ou menos, para poder fazer o acesso da nossa obra. Eu não entendo porque nós não podemos fazer a obra e nesse mesmo processo fazer o asfalto, não atrapalharia em nada, mas de qualquer maneira, estamos cumprindo com o que está sendo exigido. Espero que a partir do mês de março consigamos iniciar essa obra. O hotel do Sesc será construído na zona rural de Cascavel, às margens da BR 277, em uma área de 109 hectares, com muito verde e nascentes de águas. O conjunto de edificações terá aproximadamente 13 mil m2, sendo que o prédio principal terá 8,8 mil m² e vai contar com 60 apartamentos. Também terá centro de convenções, piscinas, espaço fitness, café e piano-bar. O complexo turístico terá ainda dez suítes em chalés e muitas opções de lazer e diversão com as quadras de tênis, vôlei e futebol society, quadra coberta e churrasqueiras. Contará com lago para pesca, pedalinho e caiaque, fazenda modelo, horta de orgânicos, bosque para trilhas, arborismo e tirolesa, além de um mirante e de uma estação para trens de turismo. Jornal A Voz do Paraná - Quanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o que o senhor vê para o futuro da entidade? Piana - Assumimos a vice-presidência da Confederação, uma estrutura muito grande, uma estrutura que tem nível nacional, uma estrutura muito forte. Nós terminamos quatro prédios em Brasília, três deles já estão alugados, quer dizer, só esses quatros prédios vão dar a CNC 9 milhões em aluguel por mês, mas os outros sete que já estão alugados. Ao todo, são onze prédios gerando dinheiro. A CNC tem uma estrutura forte, precisa de modernização e vamos contribuir com essa parcela. Quanto ao futuro na presidência da CNC, à Deus pertence, quem sabe um dia. Mas já estou contente em poder estar à frente da vice-presidência e conseguir realizar os projetos idealizados na minha gestão.