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Ricardo Endrigo vê o Brasil vivendo grave crise política e institucional

Prefeituras de toda a região estão adotando medidas de austeridade no sentido de enfrentar o que consideram grave crise econômica que afeta o País. A preocupação maior dos prefeitos é com a elevação dos custos de funcionamento da máquina administrativa diante do aumento do preço dos combustíveis e cortes de verbas por parte dos governos federal e estadual, além da queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Neste aspecto, os gestores públicos estão preocupados com o cenário vivido nos dias atuais e buscar agir com austeridade e cautela para enfrentar a crise política, econômica e institucional que vive o Brasil. Em Medianeira, a preocupação da gestão do prefeito Ricardo Endrigo é com a crise econômica que o País começa a enfrentar e que deverá afetar as finanças de todos os municípios do Paraná e do País. Segundo Ricardo Endrigo, a crise foi “empurrada com a barriga” e os municípios, por representarem o elo mais fraco da cadeia, estão tendo que pagar um preço maior. “Eu quero saber da saúde, como eu vou fazer com o meu cidadão que faz hemodiálise todos os dias e não tenho combustível para levar ele para Foz ou para Cascavel? É isso que temos que discutir. E porque tudo isso? Somos reféns da categoria? É culpa dos motoristas? Não! Eles estão defendendo o direito deles, é culpa do Estado brasileiro que não programou outras modalidades de transporte, seja ferroviário e hidroviário. Estamos pagando a conta de uma decisão que foi protelada, que se ‘empurrou com a barriga’. Nesse momento vieram as consequências e as contas e, lamento informar, mas virão mais”, enfatiza o gestor público. De acordo com o prefeito, decisões devem ser tomadas em curto prazo para resolver esses problemas. “Precisamos fazer uma reforma política, a fidelidade partidária e o pacto federativo. É precisa investir em logística, transporte, portos, aeroportos, ferrovias, pacto federativo, descentralização de recursos para os municípios atenderem a saúde pública. É necessário que o governo federal e estadual invista em saúde pública, não só os municípios. O caos está instalado. Não temos mais pra onde fugir não podemos mais negar a realidade”, conclui o prefeito. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista: Jornal A Voz do Paraná - O País e o Estado passam por algumas turbulências políticas e econômicas. Qual é a sua avaliação? Ricardo Endrigo - Nós estamos vivendo uma crise que tem dois vieses, no meu ponto de vista, uma crise econômica e institucional, em que a pressão da dificuldade econômica atinge o cidadão, o qual quer respostas das instituições e não está tendo a contento esse retorno. Estamos vendo o governo Federal, que envolve as três figuras institucionais, a União, os Estados e os municípios, que é quem tem o condão de administrar as questões de demandas públicas no País, totalmente em crise. Isso não vem de hoje, é uma questão que foi empurrando para frente e, nesse momento, explodiu. A população não aguenta mais pagar a conta. Eu, em Medianeira, como prefeito, também sofro essas pressões e também percebemos essa dificuldade e ansiedade que a população vive. O governador do Estado e o presidente da República também estão vivendo essa pressão. É preciso fazer alguma coisa, repensar o estado brasileiro. É necessário reavaliar a estrutura política administrativa do Estado e rever essas questões para que possamos ter política de Estado e não mais políticas de governo. Simplesmente precisamos descentralizar os recursos. A saúde e a educação quem banca são os municípios e a arrecadação está centralizada no governo Federal. Temos que rever todos os critérios. A melhor forma dos recursos cheguem ate o cidadão é através dos municípios. Precisamos rever esse pacto federativo, distribuição de receitas, reforma política e reduzir o número de partidos. Jornal A Voz do Paraná – Manifestações estão ocorrendo em todo o Brasil. É chegada a hora dos governantes tomarem uma providência? Ricardo - A crise que nós estamos vivendo do transporte é perigosa. Estão se discutindo transporte escolar e obras, eu quero saber da saúde, como eu vou fazer com o meu cidadão que faz hemodiálise todos os dias e não tenho combustível para levar ele para Foz ou para Cascavel? É isso que temos que discutir. E porque tudo isso? Somos reféns da categoria? É culpa dos motoristas? Não! Eles estão defendendo o direito deles, é culpa do Estado brasileiro que não programou outras modalidades de transporte, seja ferroviário e hidroviário. Estamos pagando a conta de uma decisão que foi protelada, que se ‘empurrou com a barriga’. Nesse momento vieram as consequências e as contas e, lamento informar, mas virão mais. Jornal A Voz do Paraná - O governo brasileiro tem noção e consciência do que está ocorrendo no País? Ricardo - Eu vou dizer aquilo que eu não queria falar, o meu coração diz que eles não mediam as consequências, não mensuraram o tamanho das consequências, agora o viés atinge a tudo e a todos e quem paga sempre é a população. Chegou a hora de reconhecer que a crise institucional está instalada em função de uma prática pecaminosa e contagiosa que foi ao longo do tempo, que nós conhecemos, popularmente, como corrupção. Jornal A Voz do Paraná - O que é necessário fazer a curto prazo? Ricardo - Reforma política, fidelidade partidária, pacto federativo, seriedade do administrador público. Se um prefeito ou vereador comete um deslize no seu município ele deve ser punido exemplarmente. Hoje não temos mais segurança para nos elegermos, nem para administrar. As pessoas de bem não querem mais sentar na cadeira do prefeito, governador ou presidente da República. Enquanto essas questões não forem repensadas, não vamos mais ter gente de bem propostas a assumir esses cargos. Eu creio que não foi pensado que no futuro isso teria a consequência que está tendo. Nós não podemos mais empurrar esses problemas para frente, é necessária uma solução imediata. Logística, transporte, portos, aeroportos, ferrovias, pacto federativo, descentralização de recursos para os municípios atenderem a saúde pública devem ser repensados. O governo Federal e Estadual precisa investir em saúde pública, não só os municípios. O caos está instalado. Não temos mais para onde fugir, não podemos mais negar a realidade. Jornal A Voz do Paraná - Você se sente indignado com a situação atual que vive o Brasil? Ricardo - Eu fico! Sabe por quê? Só se justifica ascender algum cargo público, chegar a uma cadeira de prefeito, vereador, governador, deputado, senador e presidente, se for para cuidar das pessoas. Fico indignado em um momento como este, que tem uma crise institucional estabelecida, que há de fato uma crise de logística no País que me impede eu de atender o meu povo que precisa de saúde pública porque não tenho combustível. Por outro lado, você vê o preço do combustível, da energia elétrica e de diversos outros itens subindo estratosfericamente e o governo Federal não faz nada, aliás, ele faz, manda subir de novo, pois tivemos alta da gasolina, do óleo diesel e da energia elétrica há poucos dias e agora eles determinam uma nova alta. Aí você vê também esses números absurdos de dinheiro desviado do escândalo Lava Jato, da Petrobras, que bem aplicado na empresa, seria suficiente para conter a alta dos combustíveis. Está tudo errado, o sistema está errado.