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Dia Internacional contra a Homofobia desperta olhares e pensamentos de personalidades sobre a temática

O sexo é um dos presentes divinos que Deus proporcionou às suas criaturas, pois é o princípio vital da evolução humana na Terra, é a força mais poderosa do ser humano, pois através dele Deus concede aos seus filhos a capacidade de criar vidas. Como filhos, o Pai nos deu uma capacidade enorme de amar e sermos amados, temos a necessidade de nos relacionarmos. E através desse ponto, a sexualidade sempre foi objeto de estudo profundo e de interesse nas relações humanas, por isso, se faz necessário tratar sobre uma das características que envolvem o sexo: a homossexualidade. Podemos constatar que nos dia de hoje as novelas tem abordado esse tema com mais assiduidade, elas tem colocado relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo, como mostram as cenas da novela Babilônia, da Rede Globo, onde as personagens de Fernanda Montenegro, e Nathalia Timberg, fazem par romântico, pois são casadas na trama. A opinião da massa é totalmente dividida a esse respeito. O psicólogo e analista do comportamento, Júnior Saturnino, membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, destaca no seu trabalho de conclusão de curso, que das 76 sociedades estudadas pelo antropólogo americano Clellan Ford e pelo psicobiólogo Frank Beach, dois terços delas consideram normais e aceitáveis as relações homoafetivas. Em algumas sociedades, como na Austrália Central, a homossexualidade é quase universal. Algumas nações, como Grã-Bretanha e Alemanha, legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um terço das sociedades estudadas por Ford e Beach, incluindo muitos países industrializados, dão pouca ou nenhuma sanção para a homossexualidade. Encontramos pouca literatura sobre a homossexualidade, talvez por tratar-se de assunto polêmico. No Brasil, um relatório feito pelo grupo Gay da Bahia (GGB), entidade de reconhecimento internacional e que há 30 anos monitora os casos de violência contra homossexuais, acontece em média de um homicídio a cada 28 horas, sendo o Brasil campeão mundial de crimes homo-transfóbicos, a cada cinco gays ou transgêneros assassinados no mundo, quatro são brasileiros. E como hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional de Combate a Homofobia, coletamos diversas opiniões de personalidades do mundo sobre o tema. O médico oncologista, cientista e escritor Dr. Drauzio Varella não vê problema no assunto. “Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo”. Para o médium e orador espírita Divaldo Franco “(...) ser homossexual, amar alguém do mesmo sexo, é um fenômeno perfeitamente normal, no entanto, a opção da conduta sexual, o conúbio com alguém do mesmo sexo, são questões pertinentes ao livre-arbítrio, mas não consideramos que se trate de uma patologia, nem que signifique um distúrbio de comportamento, ou uma conduta de natureza reprovável. O uso promíscuo do sexo é que o torna execrável, em qualquer situação, tanto na homo como na heterossexualidade”. O Padre Fabio de Melo, no Programa De frente com Gabi, confessou que a igreja tem muita consciência de que precisa descobrir uma forma melhor de tratar o homossexual, e o Papa Francisco em reportagem realizada pela jornalista Ilze Scamparini ao jornal Nacional, mostrou total tolerância aos homossexuais. “Se uma pessoa é gay e procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la”. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou publicamente no ultimo mês o pedido do fim de terapias psiquiátricas criadas para curar jovens gays, pois o seu ato se deu em razão de uma petição on-line que pede a proibição das chamadas “terapias de conversão”, que obteve 120 mil assinaturas, após o suicídio da adolescente de 17 anos, Leelah Alcorn, que teve que se submeter a um “tratamento” desse tipo. Sendo a homossexualidade um tema muito polêmico, é natural que ainda existam muitas dúvidas, divergências e diferenças de opiniões, pois para uns o indivíduo já nasce com tal sexo e homossexuais são tão normais quanto os heteros, para outros a causa é a influencia do meio, da genética, um abuso na infância, culpa de alguém, ou inclusive doença. Até no Congresso nacional há divergências de opiniões, de um lado o deputado federal Jean Wyllys, que é considerado o maior defensor dos direitos dos gays afirmou que a Homofobia mata centenas de homossexuais todos os anos e que a sua luta como parlamentar é o de tentar acabar com esse crime, e do outro lado o seu colega de trabalho, o polêmico Jair Bolsonaro, deputado mais votado do Rio de janeiro nas ultimas eleições, cumpre seu sexto mandato, ele é acusado por muitos de ser homofóbico, e já fez diversos protestos contra o que chama de “kit gay”. Tem gente que fala: “ah, você é homofóbico”, mas minha briga é contra o material escolar que estimula o homossexualismo. Que pai que tem orgulho de ter um filho gay? Nenhum tem. Duvido que tenha.” Bolsonaro foi condenado a pagar uma indenização de R$ 150 mil por declarações contra homossexuais feitas no programa CQC, da TV Bandeirantes, exibido em março de 2011. Para ele ter filho gay é falta de educação dos pais. Na visão de um dos pastores mais polêmicos, Silas Malafaia, carioca, líder do ministério Vitória em Cristo ligado à Assembleia de Deus, em vários meios de comunicação, é de conhecimento de muitos o seu pensamento, e que para ele a homossexualidade é pecado, não é genética, mas comportamental, e fala que é possível sim que um homossexual volte a ser heterossexual. Segundo o médico Dr. Andrei Moreira, homeopata, escritor e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerias (Amemg) autor do livro Homossexualidade Sob a Ótica do Espírito Imortal diz que Freud no final da vida, achou que a homossexualidade era uma questão tão complexa que a psicanálise era incompetente para explicá-la, e num texto de 1905 diz que a homossexualidade é encontrada em muitos indivíduos com sucesso e desenvolvimento normal na vida. No livro “No Mundo Maior”, de Chico Xavier ditado pelo espírito Emmanuel, trás para nós que “se a psicologia analítica de Freud e de seus colaboradores avançou muito no campo da investigação e do conhecimento, resolvendo, em parte, certos enigmas do psiquismo humano, falta-lhe, no entanto, a chave da reencarnação para solucionar integralmente as questões da alma. Impossível é resolver o assunto em caráter de definitivo, sem as noções de evolução, aperfeiçoamento, responsabilidade, reparação e eternidade. Não vale descobrir complexos e frustrações, identificar lesões psíquicas e deficiências mentais, sem as remediar. Em suma, não satisfaz o simples exame da casca, e continua: é essencial atingir o cerne e determinar modificações nas causas. Para isso é imprescindível confessar a realidade do reencarnacionismo e da imortalidade”. Para compreender um pouco mais sobre esse universo ainda desconhecido à muitos, a seguir, confira uma entrevista com Dr. Andrei Moreira sobre homossexualidade na ótica do espírito imortal. Jornal A Voz do Paraná - Nós fomos criados para sermos heterossexuais ou homossexuais? Andrei Moreira - Nós fomos criados para sermos seres humanos, podendo ser hetero, homo, bi, transexual, travesti, e ainda várias outras definições que hoje a ciência classifica, porque tudo isso são experiências, campos de experimentação e de expressão da sexualidade humana. Jornal A Voz do Paraná - Quem pode ser considerado um homossexual? Tem como sentir atração pela pessoa do mesmo sexo sem ser homossexual? Andrei - A homossexualidade se caracteriza pela atração afetiva sexual e não pelo ato sexual. Muitos homossexuais passam a vida inteira sem ter ato sexual, muitos vão reprimir esta orientação canalizando para outras coisas, como por exemplo, aqueles que estejam em ordens monásticas, ou em ambientes repressivos onde a expressão da sexualidade não é permitida. Não é a pratica que caracteriza a homossexualidade e sim a atração. Jornal A Voz do Paraná - Em termos científicos, a medicina consegue explicar hoje homossexualidade? Andrei - De maneira nenhuma, assim como não consegue explicar a heterossexualidade, nenhuma e nem outra estão explicadas. Nós temos dados e conhecimentos específicos, mas uma explicação absoluta e definitiva que bata o martelo não tem. Jornal A Voz do Paraná - Na visão da psicologia, Freud conseguiu deixar algo sobre isso? Andrei - Freud foi o primeiro que estudou a sexualidade humana, fez a sua teoria construída na teoria da libido e descreveu alguns casos de homossexualidade e explicou de diversas maneiras. Explicou em um caso como saída negativa do complexo de Édipo, que é a fase em que o menino ou menina ficam apaixonados pela mãe ou pai, e aí vem um outro parceiro e faz um corte naquela relação e ali há uma relação de pais e filhos, então é o menino que reprime o desejo pela mãe e projeta o desejo nas mulheres que tem as características da mãe. Freud escreveu que quando há uma mãe forte com um pai fraco, ou se a mãe impede esse contato com o pai, poderia haver aí uma saída negativa do complexo de Édipo, em que o indivíduo continua naquela relação de paixão só que numa relação incestuosa que é moralmente proibida, então assumiria para si o objeto de desejo da mãe. Outra explicação de Freud foi o narcisismo, onde o indivíduo busca objetos de desejo semelhantes à si, e a outra foi o medo de lidar com o sexo oposto. Mas Freud no final da vida achou que a homossexualidade era uma questão tão complexa que a psicanálise era incompetente para explicá-la, e num texto de 1905 diz que a homossexualidade é encontrada em muitos indivíduos com sucesso e desenvolvimento normal na vida. E até mesmo relata as culturas greco-romanas em que a prática e o comportamento homossexual era como quase uma instituição, era um hábito naquela sociedade, então ele vai falar isso para dizer que ao que aparenta, a homossexualidade está presente em indivíduos normais, e ele fica por aí. Jornal A Voz do Paraná - E o senhor tem conhecimento se ele chegou a atender alguém sobre essa questão? Andrei - Uma vez, em 1935 uma mãe dos EUA escreve uma carta para ele perguntando se poderia enviar o filho homossexual para fazer terapia com ele, e Freud disse-lhe para que não o enviasse, primeiro porque a homossexualidade não é problema que precise de terapia, e em segundo que não teria nada a oferecer. E a filha de Freud, Ana Freud, tentou impedir a carta de ser publicada, porque os psicanalistas pós-freudianos, da qual ela faz parte, é que patologizaram a homossexualidade em sintonia com o discurso medico da época, e a partir dai entrou um grande período de discurso médico que orientou o entendimento da sexualidade até a década de 70, quando isso foi revisto. Jornal A Voz do Paraná - E existem algumas crenças e mitos que fazem com que as pessoas conceituem de uma forma errônea os homossexuais, e que o senhor traz em seu livro. Pode comentar? Andrei - Sim, é verdade. Existem muitas crenças falsas a esse respeito, dizendo que os homossexuais são promíscuos, pedófilos, infelizes, que são frutos de obsessão espiritual, sedutores de pessoas mais do que o normal, destruidores de lares, e por ai vai. Há muitos mitos sociais, de variadas procedências a respeito dos homossexuais e da homossexualidade, promovendo o preconceito e a discriminação, a intolerância e o desrespeito. Nada disso é verdade a luz da ciência. Jornal A Voz do Paraná- Temos uma visão espírita a respeito da homossexualidade? Andrei - Nenhum de nós pode se arvorar no direito de dizer que tem a visão espírita a respeito desse assunto. A visão espírita, diz Allan Kardec, é formada pela concordância universal dos ensinos, dos postulados, e ele explica isso na introdução do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo. No entanto esse é um dos temas que está inconcluso, ou seja, se nós pesquisarmos na literatura espírita, nós vamos ver distintas abordagens, todas elas respeitadas, porque eu quero crer que todos os autores que expressam ideias a respeito desse tema, estão incluídos no sincero movimento de auxilio ao ser humano, ainda que cada um de nós com a sua compreensão. O conhecimento espírita não é dado pela opinião de uma pessoa, nem pela opinião de um espírito. A opinião espírita se constrói baseada no raciocínio, na reflexão, no entendimento, bom senso, fidelidade aos postulados fundamentais da doutrina espírita e ao Evangelho, porque sem isso não tem espiritismo. Quando fui publicar essa obra, escrita por mim, mas com muito auxilio espiritual, foi analisada por toda a Associação Medico Espírita de Minas Gerais e leva o selo de toda a associação, e nós elegemos o titulo “Homossexualidade Sob a ótica do Espírito Imortal”, quer dizer, nós estamos analisando a sexualidade e a diversidade sexual, sob a perspectiva da imortalidade da alma, e qual a analise que utilizamos? A da doutrina espírita. Jornal A Voz do Paraná - Qual é a visão que o senhor fala no livro? Andrei - A que apresentamos em nosso livro é aquela visão, fruto da aliança entre ciência e Espiritismo. À luz da reencarnação nós compreendemos que o espírito não tem sexo e sim essência, ele é assexuado no sentido de não ter um sexo biológico, é portador da energia sexual que acompanha o espírito durante toda a evolução, mas essa energia não é necessariamente polarizada, ela se polariza na encarnação em que o indivíduo reencarna-se ora como homem, ora como mulher, e isso faz com que todos nós que já passamos por milênios de evolução reencanatória, já tenhamos tido um grande número de experiência tanto na masculinidade e também na feminilidade, e isso sedimenta o fenômeno da bissexualidade em todos nós, porque temos o registro dos dois polos dentro de nós. Jornal A Voz do Paraná - Ser homossexual tem nada a ver com a moralidade ou não? Andrei - O fato de ser homossexual ou heterossexual não. Porque é só uma classificação da atração do afeto e do desejo, quando se diz que uma pessoa é homossexual, a única coisa que se está falando sobre indivíduo é que ele se atrai por alguém do mesmo sexo, pois não está classificando caráter, nem comportamento. Jornal A Voz do Paraná - O espírito quando está para reencarnar ele pode escolher o seu sexo? Andrei - Pode escolher ou não. Pode ser uma escolha do indivíduo, pode ser um efeito natural dos movimentos encarnatórios e afetivos, pode ser uma imposição da lei divina, pode surgir dentro de uma encarnação sem nenhum planejamento, porque essa expressão do desejo e do afeto ela é fluida, se modifica e se movimenta ao sabor das circunstâncias, de acordo com aquilo que o indivíduo vive. Jornal A Voz do Paraná - Isso tudo para o aprendizado do espírito? Andrei - Se falarmos que seria tudo para o espírito aprender, é como se tivesse um objetivo pré-traçado para tudo, e não há. Há um objetivo pré-traçado para boa parte das coisas, mas a grande maioria são construções nossas. O indivíduo pode escolher uma encarnação como homossexual com a finalidade de progresso, de aprendizado, de construção afetiva, de crescimento interior até mesmo nas provas de dificuldade, na reeducação do afeto e do respeito a si mesmo, mas isso também pode aparecer ao longo de uma vida sem nenhum planejamento e sem nenhuma intenção da vida em promover aquilo. A energia sexual é sempre criativa e criadora, independente do campo de expressão dela, e o objetivo é sempre a construção do belo e do bem. O espírito está sempre destinado a uma finalidade superior divina e a uma realização afetiva e isso significa amar e ser amado, se o espírito canaliza suas experiências e vivencias independente do campo em que ela se expressa, naturalmente teremos aí progresso e evolução, mas se o indivíduo se compromete afetivamente gerando lesões afetivas em si mesmo e no outro e se comprometendo, naturalmente responderá por isso. Jornal A Voz do Paraná - Há casos em que a homossexualidade pode se tornar uma reencarnação expiatória? Andrei - Só como expiação eu não acredito, mas uma boa parte das experiências homossexuais tem expiação dentro do seu processo, porque se você tem ali um componente de reeducação afetiva e se o indivíduo passa por uma fase de homofobia, de grande preconceito social, de luta com a família, há naturalmente um sofrimento em relação a isso, como também as circunstâncias ocorrem na heterossexualidade, apenas são contextos distintos. A encarnação sempre tem objetivo educativo, e expiação é consequência, não é objetivo. Jornal A Voz do Paraná - Muitas piadas são feitas aos homossexuais, com a intenção de denegri-los. As pessoas que assim o fazem, podem vir na próxima vida, também na condição de homossexual? Andrei - A vida não é punitiva, a reencarnação não coloca para sofrer aquilo que ela passou, se não isso seria lei de talião e não de causa e efeito, mas o espírito dentro do processo reencanatório encontra os efeitos dos seus atos, e quando vivenciou o desrespeito e o descompromisso com o outro, muitas vezes é atraído para experiências semelhantes pela sua própria vontade, ou pelas próprias circunstâncias da vida, a fim de se sensibilizar e aprender o respeito integral. Então indivíduos que muitas vezes foram machistas, sequicistas, não necessariamente vão ter que reencarnar homossexual, mas vão ter um homossexual na família, um afeto querido, e através daquele afeto se sensibilize, ou vão ter experiências próximas que toquem o coração, ou vão viver dentro de uma sociedade e culturas onde o sequicismo é forte, por exemplo, homens muitos machistas reencarnam como mulheres em países islâmicos, e aí aprendem de uma forma natural o efeito do sequicismo e machismo consolidando em si o respeito aquele sexo. A vida nos conduz sempre para o desenvolvimento do respeito integral e acolhimento das criaturas. Jornal A Voz do Paraná - A Terra também está recebendo muitos espíritos de ordem elevada, como o senhor acredita que ficará a sexualidade desses espíritos que reencarnarão na Terra? Andrei - Nós estamos caminhando para um mundo de regeneração e esse mundo é regido pela presença e o esforço pelo amor, então nós acreditamos que daqui para frente teremos progressivamente mais espaço de educação sexual, de respeito, de inclusão e amorosidade, porque vivemos época de grande desrespeito afetivo e banalização do sexo e do afeto, as pessoas fogem de sí mesmas na hipertrofia dos prazeres sexuais vivendo apenas a vida sensual de prazeres físicos, sem se dar conta da grandeza da imortalidade da vida, das consequências morais dos seus atos e da sequencia da vida após morte. Com essa consciência se tornando mais natural que ocorrerá no mundo de regeneração, os indivíduos se tornarão mais conscienciosos, responsáveis e equilibrados em matéria sexual, mas isso estamos falando de uma evolução bem lenta, não vai se dar da noite para o dia. Jornal A Voz do Paraná - Qual a visão espírita dos transexuais, ou seja, aqueles que transformam o seu corpo físico? Existe alguma consequência? Andrei - Boa pergunta, também queria saber...se não tem uma visão a respeito da homossexualidade que seja consensual, da transexualidade menos ainda, porque há muita confusão. Posso dizer que o homossexual não tem nenhum conflito de identidade, ele se olha no espelho e ainda se sente homem, mesmo que seja ele afeminado, e a mulher se olha no espelho sente-se mulher, não tem desejo de ser do sexo oposto, mesmo que ainda tenha muitas brincadeiras relativas a isso dentro do meio e cultura homossexual. Já o transexual não, ele tem um grande sofrimento, se ele está num corpo feminino se sente masculino e vice-versa, há um sofrimento tão grande que ele chega a se mutilar quando não consegue a cirurgia para mudança de sexo ou tenta o suicídio, e isso é muito frequente, de tal maneira que o Conselho Federal de Medicina considera a cirurgia de redesignação sexual uma cirurgia curativa e hoje no Brasil ela pode ser realizada pelo SUS. Jornal A Voz do Paraná - É uma prova para o indivíduo? Andrei - O transexual vivencia uma circunstância de prova obrigatória, porque a condição é de sofrimento desde a encarnação, independente do contexto social, porque ele já se sente no sexo oposto aquele que está reencarnado, então temos um contexto reeducativo, forte e que pode ter sido solicitado pelo indivíduo, imposto pela vida ou varias circunstâncias distintas. Agora, o entendimento disso num nível mais profundo para além das definições superficiais, também está para ser feita dentro do movimento espírita, porque nós temos muitas visões preconceituosas a esse respeito. Jornal A Voz do Paraná - Agora falando dos jovens, hoje em dia o senhor acredita que há modismo nos seus relacionamentos? Andrei - Sim. Nesse momento no nosso país está sendo moda o relacionamento entre mulheres, onde as meninas começam a brincar de namorar e acabam namorando, começam a ter relacionamento, e muitas dessas que eu tive a oportunidade de conversar e atender em consultório, eu vi que não há uma estrutura da orientação sexual definida. Se nós temos o jovem vivendo um relacionamento por moda, ou para ser moderno, ou para fazer parte de um grupo, para ser social e aceito, nós temos ai um comportamento contestador de adolescentes, que deve ser tratado como qualquer comportamento de contestação, e pais precisam dar um suporte psicológico para que o indivíduo tome consciência do que pode representar aquela experiência. Vejam então que as situações podem ser variadas. Jornal A Voz do Paraná - Um jovem de 12 anos que teve uma brincadeira homossexual, isso é indício de homossexualidade? Andrei - Não. A psicologia nos diz que no inicio da adolescência os adolescentes se atraem uns pelos outros, mas fica o clube da Luluzinha e o clube do Bolinha, tem atração, mas tem medo e vergonha do envolvimento. É a mesma época em que a glândula pineal desperta a sexualidade do adolescente, então tem o começo das experimentações, das brincadeiras e isso geralmente acontece com indivíduos do mesmo sexo. Isso é visto pela psicologia como experimentação, não necessariamente um definidor da orientação sexual do indivíduo. Então esse jovem de 12 anos que viveu uma brincadeira homossexual, ele pode estar na busca da orientação e descoberta da sexualidade naquela fase em que os jovens retraídos só convivem com seres do mesmo gênero. Jornal A Voz do Paraná - Se o jovem procura os pais para contar que é homossexual, o que eles devem fazer? Andrei - Primeiramente é não fazer escândalo. Porque muitas vezes quando os pais se encontram numa situação dessas é o maior barulho, pois é como se o filho jogasse uma bomba, porque ele ameaçou sonhos, idealizações, projetos, ideias, colocando os pais em contato com grandes sentimentos e que muito deles geram sofrimentos, e a maioria dos pais sem saber o que fazer, reagem com violência. Os pais deverão acolhê-los para escutá-los, ver o que se trata. Não tem precisamente uma resposta padrão para essa pergunta, existem distintas situações que requerem distintos comportamentos. quando o indivíduo se revela homossexual, deve-se dar orientação instrutiva da mesma maneira que se dá a heterossexual, ou seja, acolhimento, orientação sob sexualidade, para que o indivíduo possa aprender a sacralidade da energia sexual, a que está destinada a energia sexual, dizer que é algo sagrado, desde a finalidade da reprodução até as trocas afetivas e realimentação energética. É preciso orientar os jovens e acompanha-los, e sobre tudo dar-lhes a orientação psicológica para que eles possam lidar com as crenças negativas da homossexualidade, com o contexto discriminatório do meio, e para saber como lidar com a própria família. Jornal A Voz do Paraná - Gostaria que o senhor falasse sobre a sublimação. Esse pensamento também pode ser fruto de um preconceito? Andrei - Isso é fruto de um preconceito histórico relativo a sexualidade e fruto de uma interpretação que está na literatura mediúnica quando se diz que alguns espíritos cultos e sensíveis escolhem experiência homossexual para viver estágios perigosos de solidão onde canalizam energias, espíritos que já estão prontos para se sublimar e que canalizam isso para a coletividade. Vemos muito isso, padres, médiuns, freiras, canalizam a sua libido para uma vivencia coletiva, não quer dizer que isso tem que ser imposto para todo mundo, tem pessoas que se prepararam para isso, e que se dedicaram e decidiram a isso, e também vem de outra coisa que é a informação de muitos espíritos de experiência homossexual, que estão reeducando-se diante de abusos afetivos, dai as pessoas dizem que os homossexuais não tem direito a vida afetiva sexual se não ele vai agravar o desequilíbrio do passado que está reeducando agora, mas o Espiritismo é lógica e bom senso. Vamos pensar, se o indivíduo reencarna nessa condição e tem uma relação homossexual, respeita a si mesmo e o outro, seu corpo e a do outro, a sua afetividade e a do outro, constrói junto, vive amorosidade o afeto e o respeito, a lógica nos diz que esse espírito evolui. Agora, se ele encarna homossexual para reeducação afetiva e vive o desrespeito a si mesmo e ao outro, a deslealdade, descompromisso afetivo, ele vai agravar a sua situação. É diferente de um relacionamento heterossexual? Não, pois atribuímos os mesmo valores. Essa ideia de que o homossexual tem que canalizar e sublimar são um dos discursos mais violentos que nós encontramos para com os homossexuais. Jornal A Voz do Paraná - Como o senhor vê a homossexualidade como resultado de uma experiência de abuso? Andrei - O abuso sexual vai sempre gerar sintomas até que o indivíduo olhe para ele, trabalhe, resolva e equacione aquela coisa. A partir de um núcleo de abuso sexual você pode ter desejos heterossexuais modificados ou desejos e atrações homossexuais também; se o abuso foi por pessoas do mesmo sexo, ou se tinha ali um núcleo traumático dentro do indivíduo relacionado aquilo, e quando acontece da experiência ou a vivencia homossexual ser sintoma desse abuso, é sintoma e não orientação muitas vezes definida, e muitas vezes quando o indivíduo resolve aquele núcleo afetivo, aquilo pode modificar ou não, podendo seguir de uma forma equilibrada. Por exemplo, se o indivíduo já tinha mesmo uma orientação ou pré disposição majoritária homossexual e tem o abuso, ele pode buscar relação homossexual abusiva aonde só seja desrespeitado, porque o que acontece com o quem é abusado se não tratar o abuso acaba se tornando o abusador ou com uma tendência a compulsão pela repetição, porque é uma tendência autodestrutiva compulsiva de repetição que a psicologia mostra que acontece e só a psicoterapia para ajudar. Dai acaba buscando só relação sexualizada em que se sente um lixo, em pessoas que a tratem como um objeto desprezível. Jornal A Voz do Paraná - O Brasil é um país hospitaleiro, mas por outro lado é o país campeão com o maior índice de crimes contra homossexuais. Por que essa diferença tão grande? Andrei - Parece mesmo um contrassenso, um Estado democrático de direito e de fato, com o maior índice de violência contra homossexuais. Porque nós temos fortemente arraigado na nossa cultura um pensamento machista, o discurso religioso que durante muito tempo se agregou qualquer expressão que não fosse aquela da heterossexualidade dentro de um matrimônio para fins reprodutivos, e a dificuldade do ser humano de lidar com o seu desejo, com o seu afeto e multiplicidades de expressões da energia sexual. Jornal A Voz do Paraná - Jesus acolheu a todos, sem julgamento. No caso dos homossexuais, o senhor concorda que as igrejas deveriam acolhe-los? Andrei - Sem dúvida. As religiões estão muito afastadas do ideal do cristianismo, então qualquer religião que se diga cristã e que pretenda ser seguidora de um Cristo que foi inclusivo, amoroso e respeitoso, tem que dar o exemplo desse Mestre e seguir os caminhos e legados que Ele deixou. O espaço da religião é o do acolhimento integral, da aceitação, do processo educativo para a espiritualidade, para a religação do ser humano com o divino, independente do campo de expressão de vida dele. Então nas religiões todos deveriam ser acolhidos, amados e respeitados e educados espiritualmente para uma vida no amor em que viva os valores do Evangelho. Jornal A Voz do Paraná - Uma mensagem... Andrei - Uma vez chegou uma mãe e disse aflita que seu filho havia-lhe confidenciado que era homossexual, ela estava sofrendo muito e precisava de uma orientação, então os espíritos trouxeram a ela uma orientação e foi a seguinte: “Minha filha, a situação e a dor que você está vivendo se olhada isoladamente é amarga como fermento, mas no contexto do bolo é o fermento que dá o crescimento, não olhe somente para a sua dor, olhe para aquilo que é possível ser construída a partir dela, e então você perceberá que a situação que agora desafia você e seu núcleo familiar é a situação que vocês escolheram antes de encarnar, para expandir a consciência do amor”. Então olhamos para a situação encarnatória e vemos que aonde há a presença do amor, há a presença de Deus, e homossexualidade e a heterossexualidade se perdem, pois são características da reencarnação, não importa para o espírito se ele aprendeu a amar pela via da heterossexualidade ou homossexualidade, ele simplesmente aprendeu a amar. Jung diz que ao estarmos diante da presença do amor, estamos diante de um Deus, e ai não nos cabe julga e sim nos curvar.