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Marcel Micheletto: voltamos decepcionados de Brasília

O prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, recebeu convocação do governo do Estado para acompanhar, na terça-feira, dia 2 de junho, evento no Palácio Iguaçu, ocasião em que o governador Beto Richa, estará anunciando diversas conquistas para os municípios. Marcel que acabou de retornar decepcionado de Brasília com os resultados obtidos dos gestores municipais, ao participar de mais uma Marcha de Prefeitos à Capital Federal, vê com bons olhos essa convocação pelo fato do governador estar anunciando novas obras e programas para centenas de municípios paranaenses. “Aos pouco, o governo estadual vai recuperando seu poder de investimento e eu não tenho dúvida que a curto prazo o Paraná dará a volta por cima e voltará a ser exemplo de estado pujante, com economia forte e consolidada, ao contrário do que está acontecendo com o governo Federal que está sem rumo”, declarou Marcel, ao comentar o convite para participar da solenidade anunciada para às 11h30, e que marcará definitivamente a recuperação econômica do Estado. Marcel, amigo pessoal do governador, ao lançar a sua candidatura para a presidência da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), que deverá ocorrer no próximo dia 8 de junho, o faz com o propósito de contribuir com a aproximação da entidade com os prefeitos que agora, mais que nunca, precisam de apoio logístico, precisam de informação e precisam de segurança de alguém que possa representá-los com credibilidade e que tenha trânsito fácil junto ao governo do Estado, assim como, também, junto ao governo Federal, ao comentar a sua relação de amizade com o vice presidente Michel Temer. A seguir, acompanhe alguns pensamentos desse jovem político sobre a atual realidade do Estado, do Brasil e sobre a sua candidatura à AMP. Ao retornar da Marcha dos Prefeitos à Brasília, qual a sua opinião sobre essa mobilização? Marcel Micheletto- Essa foi a maior marcha de todas, mais de 7 mil inscrições, quase 5 mil prefeitos, vereadores e secretários participaram do ato. Fomos à Brasília para ouvir, principalmente, o governo Federal e saímos de decepcionados. A presidenta Dilma Rouseff não compareceu, apenas o ministro Gilberto Kassab este no encontro. Estamos vendo a dificuldade que o governo Federal está tendo para fazer os ajustes. Nós temos várias demandas, que se aprovadas, poderiam resolver os problemas das prefeituras e do Estado, de uma forma geral, mas que o governo Federal não tem se importado com as nossas causas, fazendo de conta que não é com ele. Hoje, para as prefeituras, só sobram obrigações, e cada vez mais acentuadas, obrigações essas, que não são nossas, são do governo Federal que deveria estar fazendo repasse e não o faz. Prova disso, é a crise que se instaurou no Brasil. O governo Federal não está achando saída para conseguir remanejar o dinheiro dos restos a pagar do passado e ainda mais agora com corte de quase 70 bilhões de reais, a tendência é piorar. Nós estamos em um momento de desespero, a concentração de rendas e de tributos em Brasília inviabiliza o municipalismo. O governo Federal arrecada, concentra e gasta mal e quem sofre somos nós, pois não existe nenhum projeto, nenhum programa, nenhuma ação e nenhuma iniciativa que se vislumbra e que pudesse nos trazer qualquer esperança. Saímos decepcionados de Brasília porque não ouvimos de alguém do governo Federal sobre qualquer tipo de solução sobre as emendas. Não sabemos se serão pagas, ou não, se aquilo que estão devendo aos municípios será pago tal dia, não teve nada disso, não tivemos nenhuma clareza nesse sentido, fomos em busca dos nossos deputados, a maioria deles não receberam suas emendas ainda, o recurso de 15 milhões de reais, parece que vão pagar apenas R$ 4 milhões e meio para cada deputado. É uma dificuldade tremenda para que possamos dar uma melhor qualidade de vida à nossa população. Nós tivemos sim uma esperança através do Congresso Nacional, por meio do presidente da Câmara, que vê a gravidade que o municipalismo está passando e irá colocar em votação o Pacto Federativo. Querem ainda nesse primeiro semestre fazer com que o Pacto venha através de uma PEC, aí não tem como a presidenta Dilma vetar. Como isso deverá ser aprovado através de votação, ela vai ser obrigada a fazer o remanejamento aos estados e municípios, então ficamos esperançosos. De qualquer forma, temos que continuar lutando, são nesses momentos que vamos ter que mostrar criatividade, competência para sairmos do fundo do poço. Estamos no fundo, no limite e digo mais, tenho falado isso sempre, ainda mais agora com a minha candidatura à AMP, as prefeituras que já estão em solvência, em um prazo de dois ou três anos estarão quebradas, todas as prefeituras do Brasil estarão quebradas, se continuar esse sistema que temos hoje não dá mais para aguentarmos o que estamos vendo. O senhor acabou de afirmar que é candidato à AMP e no próximo dia 8 ocorrem as eleições. O senhor está percorrendo os 399 municípios em busca de apoio? Como está a logística de campanha? Marcel - É um embate forte, estão me colocando como candidato do governo do Estado, um candidato contra o governo Federal, acho que é uma bobagem o que está sendo feito. Estou vendo uma senadora falando contra a minha pessoa, tendo preocupação com relação à emendas parlamentares, fala para não votarem em mim. Eu não imaginava que estava tão importante assim, mas creio na nossa eleição, estamos com uma proposta municipalista de ajudar todos os prefeitos e prefeitas. Eu quero ser companheiro, me coloquei à disposição para ajudar o municipalismo, para ajudar verdadeiramente aqueles que precisam de ajuda. Não é uma disputa política dentro da nossa associação, a associação está muito distante dos prefeitos, nós nunca tivemos o presidente nas micros, nunca tivemos sugestões, nunca fomos chamados para uma conversa, nunca tivemos seminários dentro da associação. Precisamos fortalecer a entidade, essa é minha proposta, não sou candidato de nenhum lado, nem do governo do Estado, nem do Federal. Sou candidato dos prefeitos e prefeitas que querem mudança e atitude. É por isso que me coloquei à disposição e creio na nossa eleição. Acredito que podemos vencer mesmo sabendo que está sendo um embate muito difícil, duro e até antiético contra a minha candidatura, mas temos vontade de avançar e acredito que a nossa chapa sendo eleita avançaremos muito. Acabou de passar pela Câmara dos Deputados o projeto que prevê a não reeleição, como o senhor vê e encara essa situação? Marcel - Quem está no mandato agora e tem condição de ir para uma reeleição tem o direito adquirido. A partir de 2022 não se tem mais reeleição, serão a possibilidade de cinco anos de presidente da República, governadores e prefeitos. Porque tem governadores que entraram agora e tem um direito à reeleição. Acredito que em 2022 se unifique tudo e nós prefeitos teremos o próximo mandato de seis anos. Continua preocupando a greve dos professores? Não teve avanço, não teve nada. Como fica o recesso e os sábados? Marcel - O governador, pelo que vi , fez mais uma tentativa propondo 12% parcelados para sensibilizar os professores a voltar às atividades. Eu acredito que já chegou em um ponto político, não tem porque não voltar às aulas e ajustar as diferenças. Os alunos não podem pagar por esse preço que está acontecendo, existe sindicato que discute com o governo do Estado, mas as crianças estão sendo penalizadas. Eu acho que nós estamos errando na maneira da condução. Concordo com os direitos que os professores têm, mas já chegou no limite e quem vai pagar essa conta? Novamente vai cair no colo dos prefeitos. Como certamente não haverá férias para os alunos, quem vai bancar o transporte escolar? Os municípios. Não estamos preparados para enfrentar isso, porque estamos com dificuldades nos repasses do FPM, que tem vindo a menos. Alguns municípios estão tentando deixar de investir em setores prioritários para guardar dinheiro para uma possibilidade de fazer esse transporte, mas digo aqui, o posicionamento da Amop é de não transportar nenhum aluno de escola estadual, a APP e o governo estadual é que procurem uma solução para o caso, nós não temos dinheiro. Tem prefeitos que não vão fechar a conta, é uma despesa enorme o transporte escolar. Pedimos a sensibilidade dos professores, que a disputa fique entre os dirigentes do sindicato e o governo e que as aulas voltem. Tem gente que vai perder o vestibular de final do ano, pessoas que já tinham se programado para final do ano tirar suas férias não vão mais, as famílias vão ter que ficar em casa. Está faltando bom senso.