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Opinião: a importância do Show Rural Coopavel

*Por Roberto Rodrigues No difícil momento pelo qual passa o Brasil, com séria crise política e econômica, a agropecuária e o agronegócio não passaram incólumes. O setor tem sido a alavanca da economia brasileira: representa 23% do PIB nacional, gera 30% do total dos empregos e respondeu no ano passado por 43% do valor das exportações do país. Mas o saldo comercial internacional tem sido sistematicamente positivo e crescente, enquanto, os demais setores amargam pesados déficits. Só no ano passado o saldo do agronegócio superou 80 bilhões de dólares, enquanto os demais segmentos tiveram déficit de 83 bilhões de dólares. Boa parte dessa competitividade externa se deve ao fato do Brasil ter gerado, em seus órgãos de pesquisa federais, estaduais, municipais, públicos e privados, um conjunto de inovações tecnológicas que permitiu espetaculares aumentos de produtividade – e de modo sustentável. Os números são impressionantes: nos últimos 25 anos, a área plantada com grãos cresceu 50%, enquanto a produção saltou 234%, o que nos levou a deixar de desmatar mais de 65 milhões de hectares no período. Mas os efeitos da complicada situação em que estamos inseridos já podem ser sentidos para a próxima safra de verão. Embora os recursos anunciados no lançamento do Plano de Safra 2015/16 tenham sido muito satisfatórios, as taxas de juros a serem praticadas estão bem acima das do ano passado. Os recursos mais baratos oriundos dos depósitos à vista encolheram em função das finanças complicadas dos depositantes. O mix mais elevado dos juros se soma a outros custos de diferentes origens: insumos importados estão mais caros por causa da valorização do dólar e do aumento do custo da energia – incluindo aqui o diesel - devido a erros na política federal para o setor. Além disso, os preços das commodities estão caindo em dólar. Tudo isso indica que 2016 será um ano de margens menores, salvo se a variação cambial for tão violenta que cada dólar venha a valer mais de R$4,00. No entanto, até isso seria ruim para o país por causa da espiral inflacionária, de modo que os produtores estão colocando as barbas de molho, segurando e cortando custos de todas as maneiras possíveis. Por outro lado, é cada dia mais evidente - e isso está na cabeça dos melhores agropecuaristas - que a única maneira de sobreviver na economia globalizada é sendo competitivo. E só pode ser competitivo quem tiver alta produtividade, acima da média nacional. Isso depende, essencialmente, do uso da melhor tecnologia e das boas práticas agrícolas. Em outras palavras, ou se usa nova tecnologia ou se caminha para a exclusão da atividade. Por isso o crédito rural em volume, custo e tempestividade é fundamental. Com ele, pode-se acessar a tecnologia adequada. E por isso também é tão importante o Show Rural Coopavel. Ali está uma notável vitrine da mais moderna e melhor tecnologia agropecuária disponível no mundo contemporâneo. Ali se conhece o que há de mais relevante em inovação para o campo - e ainda mais com visão de sustentabilidade. O mundo exige isso dos produtores rurais: produzir o máximo por hectare sem destruir recursos naturais e isso só é possível com a melhor tecnologia - e ela está espetacularmente exibida em Cascavel, no Show Rural. A receita para a renda e o progresso está lá. *O autor é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e embaixador especial da FAO para as cooperativas