Sustentabilidade: equilíbrio como meta constante

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

 

Há quase 50 anos, acontecia um marco na defesa da sustentabilidade: a Conferência de Estocolmo. Foi a primeira vez que as Nações Unidas se posicionaram sobre a importância de equilibrar desenvolvimento e preservação. E, hoje, praticar o desenvolvimento sustentável deve ser hábito dos cidadãos, regra para organizações e obrigação para governos.

O Brasil, um dos motores da produção mundial de alimentos, é muito cobrado por isso. Temos vasta disponibilidade de insumos como grãos, água e terra. O clima favorece a produção com menor consumo energético, e o sistema de integração assegura melhor controle sanitário. A isso se soma uma legislação ambiental restritiva.

A avicultura e suinocultura são exemplos de setores que buscam unir sustentabilidade e competitividade. Seguimos rígidos protocolos e investimos em inovação para reduzir impactos ambientais. As medidas vão da granja ao transporte dos produtos. Aqui, a produção de uma ave emite metade do CO2 em relação a uma britânica, segundo o Departamento de Desenvolvimento Rural e Alimentação do Reino Unido. E as cadeias produtivas garantem emprego e renda, fixando o homem no campo e contribuindo para o crescimento das cidades.

É claro que há desafios, como o aprimoramento constante para uma produção limpa, eficiente e competitiva. Nesse sentido, a ABPA atua em campanhas de apoio às metas da ONU, com foco naquelas que o Conselho Mundial da Avicultura (IPC) definiu como prioritárias. O combate à fome é uma delas. A pandemia deixou mais clara nossa responsabilidade no cenário global. E, por isso, em 2020, investimos em projetos para melhorar o desempenho. Alguns foram concluídos e outros seguem, buscando a redução do desperdício na produção.

O crescimento sustentável só é garantido quando se reconhece a essencialidade do meio ambiente e se estabelece regras para o progresso de atividades-chave para cada lugar. No Brasil, ser sustentável é ter consciência de que o mesmo ambiente que favorece a competitividade do agronegócio e contribui para o desenvolvimento da sociedade é o que possibilita alimentar milhões de pessoas. Esse equilíbrio deve ser uma meta constante.