Tecnologia

Tecnologia e políticas públicas: incentivos como propulsor

Daniel Schnaider

 

Internet das Coisas (IoT), 5G, machine learning, big data... O mundo anda para frente e não podemos deixar de entender que é necessário que haja incentivos para que a mágica da tecnologia aconteça.

Vamos falar de 5G no Brasil, que poderia facilmente ser a base de muitas das outras tecnologias, mas infelizmente não é. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) marcou o leilão do 5G para esta quinta-feira (4), porém, dos 27 estados brasileiros, apenas 7 estão preparados para receber a tecnologia.

A previsão é que ela seja ofertada a todos até julho de 2022, após a licitação, porém, faltam incentivos dos governos locais, e sem eles não há negócio. Algo bastante simples, por exemplo, são as antenas, certo? Que nos levam a outro problema, muitos municípios trabalham com restrições legais sobre o uso e ocupação de solo para esse equipamento. Um passo para trás? Acredito que sim!

O 5G é a nova geração da internet móvel, muito mais ágil e facilitador de inúmeros recursos tecnológicos, como por exemplo a IoT nos carros, sistemas de trânsito, ou mesmo, o simples homeoffice. Reduzir o tempo de resposta para a transmissão de dados, com certeza, é o foco, pois a velocidade é o que rege hoje nossa sociedade em quase todos os aspectos. Teremos dados em 1 milésimo de segundo. Arrisco a dizer que isso pode saltar até vidas.

Isso, porque nem falei dos carros autônomos, casas inteligentes, agro conectado, games e transações financeiras. Um universo de oportunidades que fará com que o Brasil avance. E porque estamos atrasados?

Falta de políticas públicas. Não vemos incentivos. Imagine, a empresa privatizada que vencer esse leilão terá que garantir a expansão rápida do acesso ao 5G, ou seja, mais de 12 mil quilômetros de redes de fibra ótica só na região Norte. Ainda, temos que pensar que existem territórios que nem sequer tem o 4G, que deverá ser implementado antes da nova tecnologia.

Agora veja um cenário benéfico, a dedução do imposto de renda para a empresa que conseguir bater metas de implementação, ou para aqueles que cedem o terreno para a construção da torre, e, digo mais, para as operadoras que incentivarem o uso do 5G. Só ganhar não fará o Brasil andar para frente, apenas contribuirá com atrasos e retrocessos. O incentivo é necessário para colocar o país em outro patamar quando falamos de tecnologia.

Precisamos entender que 5G é mais emprego, mais educação, mais conectividade, mais saúde... 5G é prioridade nacional.

Daniel Schnaider é CEO da Pointer by Powerfleet Brasil, líder mundial em soluções de IoT para redução de custo, prevenção de acidentes e roubos em frotas. Integrou a Unidade Global de Tecnologia da IBM e a 8200 unidade de Inteligência Israelense. Especialista em logística, tecnologias disruptivas, economista e autor da obra "Pense com calma, aja rápido".

 

*O artigo não reflete na opinião do Jornal A Voz do Paraná e seus canais de comunicação.