Cidades

Tema de debate na câmara de Foz é a criação de crematórios para cadáveres humanos e de pets e cemitério para animais

Uma audiência pública realizada pela Câmara Municipal, nesta terça-feira (30/11), discutiu a possibilidade de implantação de crematórios para cadáveres humanos e pets e cemitérios para animais no município. O evento foi aberto pelo presidente do Legislativo, Ney Patrício (PSD), conduzido pela vereadora Protetora Carol Dedonatti (PP), proponente da audiência, e contou com a participação dos parlamentares: Valdir de Souza Maninho (PSC) e Anice Gazzaoui (PL). A ideia é subsidiar proposição legislativa sobre os temas, além de delinear caminhos possíveis e ambientalmente corretos para solução da falta de espaço para sepultamentos.

 Roberto Mendes, advogado da empresa Camis, que administra os cemitérios municipais desde 2008, disse que “o projeto apresentado pela vereadora nos traz uma solução definitiva. A empresa tem intenção de implantar o crematório dentro do cemitério municipal. Naturalmente teríamos uma melhora expressiva na questão ambiental. A construção eventualmente de um crematório seria feita primeiro de humanos e posteriormente de pet. Em havendo licitação para crematório humano, o contrato de concessão seria diretamente afetado”. O engenheiro civil Ruberlei Santiago Domingues, diretor da empresa Camis, afirmou: “Somos a favor do crematório, mas a questão é como fazer. O município é responsável pelo serviço, tudo o que é realizado é por meio de licitação. A concessão dá o poder de exploração dos serviços no município por tantos anos”.

 O vice-prefeito, delegado Francisco Sampaio, ressaltou: “Todo mundo sabe que Foz não tem para onde crescer. Estamos buscando espaço para nosso distrito industrial. De um lado fronteiras internacionais e de outro Parque Nacional. Pelo o que andei estudando não temos que fugir muito tempo da cremação”.

 Protetora Carol Dedonatti enfatizou que “a proposta visa tornar possível o sepultamento de animais domésticos em jazigos de cemitérios já existentes. Outro ponto é implementação de crematório nos cemitérios já existentes. Outra questão que devemos nos ater é com relação ao impacto ambiental que pode ocorrer quando os animais são sepultados de forma incorreta. A cremação de humanos traz enorme vantagem para natureza, por ser procedimento mais ecológico”.

“Precisamos acompanhar ampliação do cemitério. Todos sabemos que não teremos mais espaço daqui a alguns meses ou um ano para sepultamento e nada é feito. A questão do crematório, não está no contrato que a empresa pode aplicar a modalidade de cremação, mas precisamos ver se é possível. Hoje tem mais de 20 mil ossadas”, expôs o vereador Maninho.

 

Questões ambientais

Thiago Ambiental, biólogo e engenheiro ambiental da Camis Assessoria, falou sobre os pontos positivos do sistema de cremação e destacou que “os cemitérios são licenciados pelo IAT. Com relação à falta de espaço, como ela não vem de hoje e a gente tendo área para fazer ampliação, não vai ser solucionada assim. A implantação do crematório é uma ideia excelente. Hoje o cemitério nos moldes que temos traz o risco de contaminação do lençol freático. Temos outros problemas como vetores, a parte de resíduos, que precisam ser descartados adequadamente. E com o crematório a gente sana todos esses problemas. O crematório seria a forma mais adequada, ambientalmente falando”.

Keila Lopes, da diretoria de Bem-Estar Animal, contou que “a diretoria tem três importantes programas: castração, distribuição de ração e atendimento à denúncia de maus- tratos. Com relação ao descarte desses animais, a destinação inadequada causa problema enorme ao meio ambiente”.

 

Secretário propõe ação conjunta entre Executivo e Legislativo

O secretário municipal de Administração, Nilton Bobato, lembrou que “o município não está trabalhando sobre crematório para pets e sepultamento deles. Sobre a questão do crematório humano, existe uma lei de 2012, que o município está trabalhando, com uma comissão que tem a tarefa de decidir em 90 dias como o município vai licitar o crematório. Queria que a gente discutisse a aplicação da lei existente”.

Eliane Sávio, diretora de Patrimônio da Prefeitura de Foz e presidente da comissão que está tratando da licitação do crematório, revelou que “a comissão já fez visitas aos cemitérios. Hoje temos visitação às capelas mortuárias. O trabalho da comissão é intenso, o grupo está empenhado. Deixamos claro como a comissão trabalha a todo vapor, temos cinco temas extremamente complexos para tratar. Com relação à questão dos pets, sou favorável, mas isso não está no trabalho da comissão”.