Entrevistas

Elias Zydek: Oeste é uma notável ilha de oportunidades

A Cooperativa Frimesa completou 44 anos em dezembro de 2021 e brinda a marca de R$ 5 bilhões em faturamento, com um crescimento de 17% comparado ao desempenho de 2020, além de atingir a marca histórica de 9.190 empregos diretos. A cooperativa ocupa posição de destaque nacional na industrialização de suínos e leite, na qualidade e posicionamento da marca. Com seis unidades industriais, no cenário mundial, está presente em vários países e é a maior empresa de abate de suínos do Estado, a quarta maior empresa de abate de suínos no Brasil, a 154ª maior empresa do país, a 11ª maior cooperativa do Brasil, a 14ª empresa do Paraná e a 23ª maior empresa do Sul, segundo a edição Maiores e Melhores da Revista Exame.
Os resultados expressivos da Frimesa alavancam o Oeste do Paraná e evidenciam a pujança da região para o Brasil e o mundo. Em entrevista à rádio CBN Cascavel, o diretor executivo da Frimesa, Elias Zydek, ressalta como a cooperativa se posicionou diante da crise gerada pela pandemia e ainda assim seguiu gerando empregos, renda e se destacando no mercado interno, além de bater recorde em exportação. “A Frimesa continua incentivando a cadeia de produção e nós tivemos crescimento em 2021, em relação a 2020, de 17% a mais no faturamento. Os abates cresceram cerca de 10% sobre o ano anterior. Foi um ano com bastante desafios. Crescer 17% é significativo, ainda mais em um ano de pandemia. Recentemente, foram fechados os dados do Brasil de exportação de carne, que apontam um crescimento do Brasil que chega em torno de 11%, passando de 1,02 milhão de toneladas para 1,12 milhão de toneladas no ano e a Frimesa também cresceu nessa proporção em relação a exportação, gerando renda e riquezas para a nossa região”, disse o diretor executivo. 
Na área de exportação, o faturamento fica em torno R$ 926 milhões, o que representa 18,8% sobre o faturamento geral da empresa, e 25,9% sobre o faturamento da área de carnes.
O segmento de carne suína é o maior negócio da empresa e conta com duas plantas industriais, uma em Medianeira e outra unidade fabril em Marechal Cândido Rondon. Com um sistema de produção de suíno monitorado, abate mais de 6.300 suínos por dia. Em 2021, foram mais de 2 milhões de animais industrializados, que deram origem a 283 mil toneladas de produtos. Para os próximos anos, a projeção é dobrar essa capacidade, com a inauguração do novo frigorífico em Assis Chateaubriand, prevista para dezembro deste ano. A obra, que é a maior da América Latina, vai empregar, inicialmente, 3.800 colaboradores diretos, chegando a 8.500 colaboradores até 2030. “Esse frigorífico já está com cerca de 70% das obras concluídas e passa pela fase de instalação de máquinas e equipamentos. O nosso cronograma é fazer a inauguração em dezembro de 2022. Em valores atualizados, chega a R$ 1 bilhão em investimentos para que ele fique completo e consiga abater em meio turno 7.500 cabeças e em 2030 chegar às 15 mil cabeças por dia. Em 2026, serão aplicados cerca de R$ 300 milhões para completar a instalação de máquinas e equipamentos e modernizar ainda mais a estrutura”, pontuou Zydek.
Para o líder cooperativista, a região Oeste se destaca em relação ao resto do País, por manter uma cadeia de produção primária bem estruturada e com investimentos do setor público e privado. Além disso, Elias Zydek vê o Oeste paranaense como uma ilha de prosperidade e de oportunidades para novos negócios, investimentos, geração de empregos e renda para os municípios. O diretor da Frimesa enaltece que a região se fortaleceu ao longo dos anos e que, hoje, vive um momento de destaque nacional. “Nós vivemos uma realidade ímpar, o Oeste é uma região diferenciada, nós podemos observar quantos municípios ultrapassaram R$ 1 bilhão no Valor Bruto de Produção (VPB). Somos Oeste, aqui geramos riqueza, empregos, oportunidades, aqui fazemos nossos investimentos que ressaltam nosso crescimento tornando a região destaque no cenário nacional e mundial. O Oeste alimenta o mundo”, enalteceu Zydek.
Leia, a seguir, a entrevista reveladora de Elias Zydek:
 

A Frimesa é a maior empresa de abate do Paraná e uma das maiores para o recebimento de leite. Atualmente, a cooperativa conta com quantas unidades?
Elias Zydek:
Nós temos em abatedouros de carne suína duas unidades, uma em Medianeira, que processa 4.900 suínos ao dia e temos outra unidade em Marechal Cândido Rondon, que processa 1.400 cabeças ao dia, totalizando 6.300 abates diários. Essa é a nossa capacidade de abate no momento, com esse número nós somos a maior empresa abatedora do Paraná e somos a quarta do Brasil.

Qual é o balanço do ano de 2021?
Elias Zydek:
Em termos operacionais e de produção, nós continuamos incentivando a cadeia de produção suína e tivemos um crescimento em 2021, em relação a 2020, de 17% a mais no faturamento. Os abates cresceram cerca de 10% sobre o ano anterior. Foi um ano com bastante desafios, principalmente, pela subida dos grãos (soja e milho), e isso encarece um pouco o custo de produção do suíno e do frango. Esse fator fez com que a margem final, que é a margem líquida, caísse em relação ao ano anterior, mas em termos de volume, de desempenho, foi um ano muito bom. Crescer 17% é significativo, ainda mais em um ano de pandemia. Recentemente, foram fechados os dados do Brasil de exportação de carne, que apontam um crescimento do Brasil que chega em torno de 11%, passando de 1,02 milhão de toneladas para 1,12 milhão de toneladas no ano e a Frimesa também cresceu nessa proporção em relação à exportação. Na área leiteira, foi um pouco mais difícil, apesar de ter sido um ano razoável para o produtor, os preços se mantiveram bons durante o ano todo e, agora, no final do ano, os preços caíram um pouco no mercado, mas, de uma forma geral, também foi uma atividade que consideramos, dentro de um ano de pandemia, bom.
 
Ficou dentro da meta esse crescimento de 17%? Em relação ao faturamento, chegou aos R$ 5 bilhões?
Elias Zydek:
Nós atingimos R$ 5,03 bilhões de faturamento, sendo que tínhamos um planejamento de R$ 4,94 bilhões e ultrapassamos a nossa projeção. Agora, para 2022, temos um novo desafio e devemos crescer em torno de 10% a 11% em volume físico, mais uns 10% de inflação, devemos crescer no faturamento em torno de 20%, ou seja, passar de R$ 5 bilhões para R$ 6 bilhões no ano, o que representará um crescimento médio de 20% em 2022.

Hoje, a Frimesa conta com quantos colaboradores?
Elias Zydek:
O pessoal direto, que trabalha com carteira assinada, é de 9.450 colaboradores em toda a empresa, considerando administrativo e operacional, mas nós temos uma grande fatia de pessoas que prestam serviço, seja na área de vendas, transportadores, fornecedores diretos e produtores rurais. Só no campo, temos em torno de 4.500 produtores, mais as suas famílias que produzem leite e suínos. Temos um público envolvido, quase que diretamente, de 25 mil pessoas, é uma cadeia produtiva propulsiva, que gera outras empresas menores, que são os produtores e prestadores de serviços, ativando muito a economia do Oeste do Paraná. Aliás, o Oeste se destaca por ter agregado valor às cadeias de produção primária, como o suíno, o frango, os grãos, o peixe, entre outros. O Oeste tem esse privilégio de ter investidores, empreendedores, o cooperativismo muito forte, empresas privadas muito fortes, que fazem com que a economia da nossa região não sofra tanto quando tem pandemia ou qualquer outra crise. A Frimesa tem orgulho em pertencer a essas cadeias produtivas, em um sistema associativo que é o cooperativismo, onde congrega milhares de pessoas. Esse é o fator determinante para continuarmos crescendo.

Como a economia impacta em uma cooperativa como a Frimesa?
Elias Zydek:
Quando se revisa o planejamento estratégico de uma empresa, como foi o caso da Frimesa, todos os cenários de oportunidades e ameaças que foram feitas demonstram que o ano de 2022 vai ser um ano de muitos desafios e incertezas. Esse ambiente pode ser visto por duas perspectivas: primeiro, se olharmos com o ‘copo meio vazio’, pensamos em retração e cautela, mas a visão da Frimesa é a do ‘copo meio cheio’, no sentido de aproveitar as oportunidades que esses desafios irão trazer. Isso requer muito esforço, principalmente, planejamento e antevisão das empresas, porque quando tem crise, não é 100% que sofre com essa crise, se nós olharmos para os últimos dois anos, tivemos setores da economia que perderam e sofreram mais, como a prestação de serviços, eventos e fastfood. Em compensação, o novo hábito dos brasileiros levou a população para o supermercado, então, criou-se oportunidades para novos produtos, como os produtos pré-preparados, que o consumidor termina de preparar em casa ao invés de ir ao restaurante. Esse cenário gerou outras oportunidades e é preciso se preparar, antever e antecipar investimentos para ocupar essas novas lacunas do mercado. 

Haverá redução de investimentos?
Elias Zydek:
É claro que se toda a economia crescer, favorece a todos e o crescimento do PIB será em média muito maior, mas nós acreditamos que, mesmo com todos esses desafios, principalmente, as eleições, trazem muita insegurança e instabilidade, mas é preciso andar, pois existem mercados externos, existe o mercado interno, existem vários canais, especialmente, para nós que estamos na área de alimento, surgiram diversas oportunidades para se atuar. Tanto é que, olhando para esse cenário, nós não reduzimos os investimentos. Os investimentos programados seguirão e aqueles que estão no calendário para 2022 vamos concluí-los, porque é como se diz: governos passam, o Estado permanece, o País permanece e nós precisamos olhar um pouco mais adiante, olhar a médio e longo prazo. Será um ano de muitos desafios, é certo que teremos muitos percalços, mas sempre olhando com muito entusiasmo.

Quando a gente fala do Oeste, a região não teve queda no seu PIB e deve crescer em torno de 6% neste ano. É evidente que vivemos uma realidade diferente do resto do Brasil e se tem observado também a respeito da geração de emprego, que o Oeste tem uma abundância de vagas e uma obra expressiva da Frimesa vai auxiliar nessa geração de empregos, que é o Frigorífico em Assis Chateaubriand. Como está essa obra?
Elias Zydek:
Esse frigorífico já está com cerca de 70% das obras concluídas e passa pela fase de instalação de máquinas e equipamentos e o nosso cronograma é fazer a inauguração em dezembro de 2022. O abatedouro, em valores atualizados, chega a R$ 1 bilhão em investimentos para que ele fique completo e consiga abater, em meio turno, 7.500 cabeças e até 2030 chegar as 15 mil cabeças por dia. Lá na frente, em 2026, serão aplicados cerca de R$ 300 milhões para completar a instalação de máquinas e equipamentos. Esse cronograma, nos últimos dois anos, não teve interrupções e a obra está dentro do novo cronograma estabelecido. Na primeira fase, vamos começar com 3.800 empregos diretos dentro da unidade, mas quando atingirmos a capacidade das 15 mil cabeças ao dia, esse frigorífico vai empregar 8.500 pessoas diretamente. Hoje, já empregamos em torno de mil pessoas na obra e instalações. 

Quais são as maiores dificuldades enfrentadas nas obras?
Elias Zydek:
É impressionante a dificuldade de mão de obra que se enfrenta no Oeste do Paraná. Hoje, quando se ouve falar que se tem quase 13 milhões de desempregados, é uma realidade totalmente diferente na nossa região. Para contratar três ou quatro mil pessoas é muito difícil, por isso, que o frigorífico é muito automatizado, para não sofrermos com essa falta de mão de obra. O que eu quero expressar é o nível de oportunidades de trabalho que existem na nossa região. Nós vivemos uma realidade diferente, o Oeste é uma ilha de prosperidade, de oportunidades, de geração de empregos e renda. Nós podemos observar quantos municípios ultrapassam R$ 1 bilhão no Valor Bruto de Produção (VPB). Somos Oeste, temos nossos diferenciais e somos uma ilha de oportunidade e que vai muito longe, não só na produção, mas, também, nas influências junto ao governo, precisamos colocar no governo pessoas que conheçam de reformas estruturais, que entendam de produção e que ajudem, não só o Oeste, mas o Estado e o Brasil também.