O fim está próximo e nós precisamos salvaguardar o turismo

Por: Aroldo Schult

A última sexta-feira, mais especificamente dia 11 de março, marcou os dois anos da pandemia da COVID-19. Isso porque foi em 11 de março de 2020 que ela foi oficializada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nestes dois anos, muita coisa mudou em vários segmentos econômicos e não foi diferente na indústria do turismo. Nós precisamos nos reinventar de inúmeras formas. Mais do que isso, foi preciso sermos estratégicos e cirúrgicos para manter nossos negócios em ordem – e em dia com nossos credores, clientes, parceiros e funcionários, garantido a sustentabilidade econômica de nossas empresas.

Hoje, passados dois anos e com o recente anúncio da decisão de várias capitais brasileiras de retirarem a obrigatoriedade da máscara ao ar livre, o tema ganha um novo capítulo e, em minha avaliação, a crise pandêmica está com os dias contados.

No entanto, nem tudo são flores: ainda aparecerão operadoras e agências com dificuldades em honrar as cartas de crédito que foram passadas aos viajantes, o que deixa o setor, mais uma vez, em alerta.

E é sobre esta relação – que deveria ser saudável – que eu trato aqui. São vários os ensinamentos da pandemia, mas, sem dúvida alguma, merece destaque o fato de que devemos seguir dando mais valor aos bons fornecedores, à equipe comprometida e à fidelidade de nossos clientes.

Nestes dois anos, as agências entenderam que a seleção do fornecedor é fundamental, pois quando “a casa cai”, a agência não pode ficar exposta, insegura, vulnerável e em risco. Pelo contrário, é nas situações mais instáveis eu parcerias são consolidadas – e, neste sentido, me orgulho em dizer que a Schultz sempre deu todo o suporte aos agentes de viagens e viajantes, não deixando ninguém sem resposta ou sem seus direitos salvaguardados.

Para tanto, em que pese o fato de que revimos nossa estrutura física, mantendo alguns colaboradores em home office até então – e muitos agentes migraram para este modelo e seguirão neste caminho, evitando o investimento com instalações corporativas –, nós seguimos investindo no lançamento de novos produtos e em tecnologia. E é esta mesma tecnologia, mais horizontalizada, que deixará de ser diferencial e passa a ser uma necessidade diária, tornando a concorrência mais acirrada em nosso setor.

Quem se destaca? Aquele que souber buscar e integrar o equilíbrio entre inovação, tecnologia, conhecimento, capacitação, atenção às oportunidades, estudo e pesquisa de mercado, ousadia e, por que não dizer?, lastro empresarial.

Em termos de destinos, no curto prazo, o mercado nacional seguirá muito forte, com o crescimento da oferta de novos produtos e demandas a cada dia.

As viagens para a América do Sul devem voltar no médio prazo, com a desvalorização das moedas latinas diante do Dólar e do Real. Também no médio prazo, mais perto do longo, estão as viagens para Europa, Estados Unidos e destinos mais longínquos – isso porque todos estão priorizando segurança nas viagens.

Um destaque para quem, como nós, está acompanhando a mudança de comportamento do consumidor pode ser anotado: os circuitos rodoviários crescerão muito – para além do Brasil, na América do Sul.

Em meio a tudo isso, precisamos lembrar que, há muitos anos, entendemos que o turismo precisa contribuir com as cidades e os povoados visitados. O turismo precisa permanecer no local tempo suficiente para comer, comprar, fazer passeios e, desta forma, contribuir com a economia local. O “turismo de passagem”, em que o turista só bate fotos, não funciona mais e não agrega nada a ninguém: nem ao próprio viajante, nem ao trabalhador da indústria e nem ao destino.

Por tudo isso, se de um lado, nós precisamos oferecer inovação, segurança e confiança ao viajante, de outro, nós precisamos garantir a sustentabilidade de nosso setor, aí inseridas as organizações públicas e privadas, além do viajante.

O fato é: nós precisamos salvaguardar o turismo.

 Aroldo Schultz é diretor-presidente da Schultz