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Sistema evita tombamentos de caminhões

Entre 15% e 20% dos acidentes envolvendo veículos de carga no Brasil são tombamentos. E 90% desses tombamentos não tem a presença de um segundo veículo: envolvem apenas o caminhão tombado. Em boa parte dos casos, a explicação é simples: falta compatibilidade entre a geometria das estradas, a velocidade permitida nas curvas e as características do conjunto veículo/carga. Para reduzir esse tipo de sinistro, a Anjo Tecnologia, com sede em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, desenvolveu e fabrica o Anjo S-Track, sistema que vem se mostrando eficaz no combate aos tombamentos.

“O tombamento é um dos poucos tipos de acidente que normalmente não está relacionado com desatenção, falta de habilidade ou mesmo inexperiência do motorista, pois tem origem nas imutáveis leis da física”, afirma Rubem Penteado de Melo, doutor em engenharia, e uma das maiores autoridades em segurança viária do País.
Mestre em engenharia, Sergio Ejzenberg explica como os tombamentos ocorrem: “As margens de segurança para o tombamento de veículos pesados resultantes da aplicação dos manuais de projeto Green Book 2004, DNIT 2005 e DNER 1999, são inadequadas e insuficientes para curvas de baixa e média velocidades”, alega. As curvas calculadas por esses manuais, segundo ele, consideram apenas a segurança à derrapagem. “Nas curvas mais fechadas, os veículos pesados carregados tombam lateralmente antes de derraparem”, afirma.

Mapeamento feito pela Anjo Tecnologia mostra que apenas no trecho entre Duque de Caxias (RJ) e Betim (MG), da BR-040, existem cerca de 280 curvas com risco de tombamento. Em mais de 40% delas, as velocidades seguras calculadas para caminhões carregados são menores que 60 km/h.

A sinalização existente na maioria das curvas não é objetiva, não indica a velocidade a ser contornada e, quando indica, não contempla necessariamente veículos de carga e as diferentes combinações de veículos de carga, as CVCs. Isso significa que, mesmo respeitando a velocidade indicada na sinalização, pode ocorrer o tombamento. “Pode-se dizer que as curvas são armadilhas espreitando até o melhor motorista, mesmo que a velocidade de condução esteja dentro do limite permitido na via”, afirma o engenheiro Paulo Gottlieb, da Anjo Tecnologia.

ANJO S-TRACK

O sistema antitombamento Anjo S-Track, que pode ser instalado em qualquer tipo de caminhão, foi criado e desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, incluindo especialistas em veículos de carga, em investigação de acidentes de transporte e em tecnologia embarcada. Ele foi projetado e desenvolvido no Brasil com conceitos inéditos, tanto na arquitetura de hardware e software quanto na forma como interage com o motorista.

O Anjo S-Track atua como copiloto, sendo que o transportador não precisa se preocupar em inserir informações ou comandos no sistema para que ele funcione. O dispositivo instalado na cabine do caminhão dispõe de um banco de dados com todas as curvas das rotas que são percorridas. Para cada uma das curvas, está associada uma velocidade segura calculada com base científica. Toda vez que o motorista se aproxima de uma curva em velocidade acima do limite estabelecido pelo sistema, ele é avisado por meio da voz. Se a velocidade estiver correta, o copiloto permanece em silêncio.

“Esta característica é fundamental para a boa aceitação pelo motorista, pois o sistema é inteligente e só atua quando for preciso, evitando mensagens desnecessárias que acabam gerando distração cognitiva no condutor”, declara o engenheiro Rubem Penteado.

O sistema também está apto a informar se a curva que se aproxima é para a direita ou esquerda ou se há uma sequência de curvas. “Também pode alertar para outros pontos de risco, como alças de acesso de viadutos, trevos, rotatórias e mesmo trechos em retas, mas que estejam em áreas de risco elevado de acidentes, como áreas urbanas de rodovias, intersecções, acessos a vias secundárias e trechos de restrição delimitados pelas placas existentes na rodovia”, explica Gottlieb.

TEMPO REAL

O Anjo S-Track alerta o motorista com antecedência adequada de modo que ele não precise fazer frenagem brusca para baixar a velocidade ao nível correto. “O sistema usa um algoritmo que considera uma série de fatores para que essa redução seja tranquila. Caso o motorista não reduza, um alarme sonoro insistente passa a tocar na cabine e luzes vermelhas são acionadas no dispositivo”, explica.

Ao mesmo tempo, um registro da desobediência é gerado e enviado para uma central de monitoramento, ao qual o sistema está conectado via comunicação GPRS. Ou seja, o frotista pode acompanhar em tempo real se os motoristas estão fazendo adequadamente as aproximações de curvas. “Os registros formam uma espécie de prontuário dos motoristas distinguindo aqueles menos aderentes a adotar um comportamento mais seguro.

Esses registros podem também ser enviados diretamente ao celular do gestor ou ainda a uma sala de controle operacional, ou torre, como alguns grandes transportadores têm adotado”, conta o engenheiro.

Rubem Penteado diz que o sistema não é somente uma tecnologia a ser instalada no caminhão e depois esquecida. “Atuando como um copiloto é importante que o motorista conheça bem seu princípio de funcionamento. Para isso são fornecidos tutoriais e acesso a treinamentos on-line para todos os envolvidos na operação”, explica. Segundo ele, a equipe da Anjo fica em permanente contato com os clientes, recebendo feedbacks que são fundamentais para o desenvolvimento de novas funcionalidades e para aperfeiçoamento do sistema.

Recentemente, Paulo Gottlieb esteve em reunião com colaboradores de um cliente. E conta o que ouviu de um motorista que sofreu um tombamento anos atrás. “Sobrevivi por milagre, mas se o caminhão estivesse com o Anjo, não teria tombado”, afirma. “Ouvir esse tipo de relato mostra que estamos na direção certa.”

PRODUÇÃO

A Anjo Tecnologia desenvolve e fabrica o Anjo S-Track no Brasil, o que representa uma garantia adicional aos clientes, tanto pela disponibilidade de equipamentos quanto para customizações para atender determinadas operações. O desenvolvimento do sistema é 100% nacional, com equipe própria e convênios com instituições de ensino do Paraná. Entre os novos desenvolvimentos, um dos mais importantes é a integração do Anjo com outras plataformas e com outros dispositivos embarcados, como videomonitoramento, controle de fadiga e telemetria.

O sistema foi desenvolvido com um conceito de arquitetura que facilita a integração tanto com diferentes plataformas de gestão de riscos quanto com hardwares, deixando o caminho aberto para que sejam conectados outros sensores e dispositivos. “Como o próprio nome diz, essa tecnologia inovadora é um verdadeiro anjo que atua para garantir uma condução segura. Se o motorista errar, o Anjo prontamente interferirá para proteger sua vida.”